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Mais crédito e menos 'spread' em dezembro

Houve, em dezembro, uma forte expansão das concessões de crédito, de 15,5% em relação a novembro, para as pessoas físicas, e de 25,9%, para as empresas, segundo o relatório de Política Monetária e Operações de Crédito, divulgado terça-feira pelo Banco Central. O fluxo de recursos correspondeu a R$ 369,9 bilhões, liderado pelo crédito direcionado. Ainda assim, o volume total do crédito expandiu-se apenas 11,3% em 2014, atingindo R$ 3,021 trilhões, comparativamente a 14,7% em 2013.

O spread bancário – diferença entre os custos de captação e de aplicação – registrou queda em dezembro, fato importante num momento de alta de juros e aumento da demanda por crédito. Os bancos evitaram perder mercado numa fase de baixa atividade econômica. O spread médio pago pelas pessoas físicas nos empréstimos com recursos livres diminuiu de 31,8% em novembro para 31% em dezembro, mas ainda é 5,2 pontos porcentuais superior ao de dezembro de 2013. Já o spread médio para pessoas jurídicas caiu 0,5 ponto porcentual entre novembro e dezembro, de 12,1% para 11,6%. Nos dois exemplos, o spread ainda é muito alto.

Uma das explicações para a queda do spread pode ser a queda da inadimplência, de 6,6% para 6,5% no caso das pessoas físicas e de 3,5% para 3,4%, nas jurídicas. É um indicador de cautela dos tomadores.

Com o aumento da oferta de crédito em dezembro, a relação entre o saldo dos empréstimos e o PIB atingiu 58,9%, crescimento anual de 2,9 pontos porcentuais e mensal de 0,9 ponto porcentual. É um reflexo dos custos creditícios, não se devendo esquecer do impacto do crédito sobre a demanda e a inflação.

Entre as linhas cujo estoque mais cresceu está a do crédito imobiliário direcionado, com expansão anual de 30,1% para as pessoas jurídicas, atingindo R$ 69,9 bilhões, e de 26,7% para as pessoas físicas, alcançando R$ 432,4 bilhões. Já o volume de operações do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE), que opera com recursos das cadernetas, cresceu apenas 2,7%.

Os juros estão entre os fatores que mais afetaram o crédito em 2014: nas operações de crédito livre, as pessoas físicas pagaram, em média, em dezembro, juros de 45,3% ao ano, 4 pontos porcentuais acima de dezembro de 2013. No cheque especial, o juro chegou a 200,6% ao ano, 52,7 pontos acima das taxas de dezembro de 2013. Com o aumento do IOF, o crédito deverá continuar contido em 2015.

Fonte: O Estado de S. Paulo