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câmbio real

Neste artigo iremos tratar da taxa de câmbio real, pois esta importante taxa é uma das melhores informações para nossas avaliações sobre a taxa de câmbio. Sua construção é complexa, envolvendo uma vasta gama de variáveis, que vão desde taxa de inflação, crescimento do PIB, taxas de juros, etc, tanto dos países diretamente envolvidos, no nosso caso Brasil e Estados Unidos, como dos países que são os principais parceiros comerciais destes. Mas não se assuste: existe uma grande quantidade de informação já pronta disponível de fontes confiáveis, que vamos listar neste artigo.

Primeiramente vamos tratar do conceito de taxa de câmbio real:

Câmbio real é uma medida de poder de compra de uma moeda de um determinado país em relação a outro, ou um conjunto destes. Assim é possível saber se efetivamente o quanto uma moeda está apreciada ou depreciada em relação a outra, ou outras, sem se preocupar com as diferentes taxas de inflação, taxas de juros, taxas de crescimento de PIB, etc.

A taxa de câmbio usualmente divulgada e plotada nos gráficos históricos é o câmbio nominal, que é simplesmente o preço histórico de uma taxa de câmbio sem qualquer ajuste, e por isso vai perdendo o significado ao longo do tempo.

Um exemplo muito comum, mas pouco útil, de câmbio real é o chamado índice Big Mac, que compara o preço de um lanche Big Mac da rede de lanchonetes McDonald’s em diversos países. Digo que é pouco útil, pois no índice Big Mac temos apenas 2 hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola picles e pão com gergelim, e claro: aluguel e custo de mão de obra. Ficando assim muito restrito para ser utilizado como referencial da economia de todo um país.

Na construção do gráfico abaixo utilizamos dados das seguintes fontes:

– IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – www.ipeadata.gov.br)
– BIS (Bank for International Settlements – https://www.bis.org/) o banco central dos bancos centrais.
– FED (Federal Reserve – http://www.federalreserve.gov/) banco central norte americano.

Com um certo preciosismo, construímos 3 curvas: 2 como forma de validar os cálculos efetuados pelo FED e pelo BIS, além da terceira que é a média aritmética simples destas.
Vamos ao resultado:

taxa de câmbio real

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Realizamos o cálculo tendo como base o dólar comercial de 26/10/16, que estava cotado em R$3,1065/US$, e a partir deste valor reconstruímos o câmbio real passado, para que possamos facilmente capturar importantes informações.

Cabe primeiramente observar uma forte aderência entre os cálculos efetuados tanto pelo BIS como pelo FED, o que era de se esperar, demonstrando que realmente realizamos um preciosismo.

A linha Linear (Média) é a regressão linear do gráfico da média apurada para termos uma linha de tendência, e desta informação já podemos concluir que o real vem sofrendo um processo de apreciação ao longo dos últimos 20 anos frente ao dólar. Temos mais uma importante informação: o Dólar atualmente na casa dos R$3,10 está simplesmente voltando para seu preço real médio histórico, nada de muito caro ou barato. Estamos apenas voltando a normalidade após um período de forte crise e instabilidade.

Tudo isso sempre é muito relativo ao momento econômico. E por este motivo, é interessante e proveitoso avaliar o câmbio real, tanto nos momentos de euforia como de stress, para termos um referencial de como este se comporta em termos reais. Assim vamos escolher alguns momentos com essas características para comparar o câmbio real e o câmbio nominal (Dólar Comercial).

❶ Julho de 1994: quando foi lançado o Plano Real, tínhamos uma paridade nominal de 1 Real = 1US$, isso equivale hoje em termos reais a um Dólar pouco acima de R$3,10.

❷ Ano de 1996: sob o regime de câmbio administrado, o Dólar chegou a ser cotado na faixa de R$0,80, equivalente a um câmbio real de R$2,60/US$ em valor atual. Note também que este período foi consideravelmente longo.

❸ Janeiro de 1999: crise Cambial no Brasil. O Dólar entre os dias 11 de janeiro e 31 de janeiro partiu de R$1,22/US$ para R$2,20/US$; chegando a um pico que hoje seria próximo aos R$5,00/US$.

❹ Outubro de 2001: crise na Argentina. Novamente tivemos a formação de um novo pico na casa dos R$6,00/US$ em valor real.

❺ Outubro de 2002: com a expectativa da entrada do Lula no poder, originando uma forte fuga de capitais, o dólar chegou a um patamar real equivalente a R$7,00/US$. Este momento muitos lembram que o Dólar nominal passou da casa dos R$4,00/US$.

❻ Julho de 2008: logo antes da crise do sub-prime nos EUA, o Real esteve bastante apreciado chegando a uma cotação real de R$2,33/US$.

❼ Julho de 2011: momento de forte apreciação do Real chegando a cotação nominal de R$1,55/US$, hoje equivalente a R$1,95/US$ em termos reais.

❽ Setembro de 2015: com o aprofundamento da crise no Brasil, o patamar de R$4,20/US$ foi testado.

A parte mais valiosa deste exercício de avaliação do câmbio real é que sabemos atualmente até quanto o dólar já chegou a preços de hoje, logo, poderia chegar novamente. Basta que os momentos de crise e euforia se repitam. Assim, não podemos duvidar que o dólar venha para a casa de R$2,60/US$ nos próximos 12 a 24 meses, bastando para isso um novo ciclo respaldado por reformas e crescimento econômico. E não distante disso, o dólar na casa de R$5,00/US$ caso as reformas não sejam aprovadas.

Veja também nosso artigo de como construir uma projeção do dólar baseadas nos preços negociados nos mercados futuros da BM&FBovespa.

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